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21 de dezembro de 2015 - 16:04Memória

Poético

Dave Letterman

Por Pedro Henrique Marum

O Na Garagem de ontem lembrou a história do teste, então secreto, que Ayrton Senna fez pela Penske ao final de 1992. Senna não queria ficar na McLaren depois que a parceria com a Honda caiu por terra e, apesar de também não estar interessado em ir para a Indy, conseguiu uma conexão para os Estados Unidos graças a uma patrocinadora em comum entre McLaren e Penske, a Marlboro. A história está aqui.

Aproveito o gancho para lembrar uma entrevista que David Letterman deu ao canal oficial da Indy no Youtube em 2012.

Eu, como grande fã de talk shows – especialmente o formato late night -, considero Letterman o maior apresentador da história da TV. Ele é dono de uma equipe da Indy, como bem sabem, mas mais do que isso: é nativo de Indianápolis e um grande fã do automobilismo desde criança. Nesta entrevista, Dave escolheu Senna como seu piloto favorito de todos os tempos.

Para quem não acompanha o vídeo em inglês, traduzo abaixo tudo que Letterman falou entre 7:07 e 10:01 de vídeo, a parte em que toca no assunto Ayrton.

David Letterman

“É uma escolha sentimental e não sei se se sustenta. Um cara que eu acho que tinha ao menos uma chance, eu sei que ele testou na Indy apenas pela diversão, não era uma piloto da Indy, mas poderia ter sido um ótimo, é Ayrton Senna. Eu gostava do que ele fazia. Gostava do fato de ser um piloto talentoso e um fedelho atrevido e da ideia de que, se ele achasse que tinha sido tratado injustamente, ia descontar na pista.

Parece uma versão mais inocente do automobilismo do que temos agora. Eu gostava do que ele representava para as pessoas do mundo e do Brasil.

Minha esposa e eu o conhecemos quando eles estavam fazendo uma corrida da F1 em Phoenix. Conhecemos Ron Dennis e ele, nos levaram para dentro do motorhome. Ayrton, uma criança, muito doce, não parava de ajeitar o capacete. Eu fiquei tocado por isso.

Quando ele morreu, foi quase muito poético. Que o melhor, o mais amado, morresse fazendo o que ele fazia de melhor. Foi perfeito demais, aquele final. Parecia quase destinado.

É isso. Talvez não pelos motivos corretos, mas essas são as razões. Sempre admirei Jim Clark, Jackie Stewart. Caras como Bobby Rahal, ele sempre me lembrou Alain Prost, caras inteligentes que faziam o que era certo. Lembro um ano quando Bobby e Michael Andretti estavam na luta pelo campeonato, e Bobby não terminou a corrida, o que significou que Michael ia ganhar o campeonato. E a primeira coisa que Bobby fez quando chegou aos boxes foi ir à garagem ao lado da dele, que era do Michael, e cumprimentar os mecânicos. Pensei “esse é um cara”. Não posso tirá-lo da equação por isso.

Mas em termos do romantismo do automobilismo, do apelo emocional, do misticismo que embalou seu legado, tenho que dizer que é Senna.”

Aos 68 anos de idade, Letterman se aposentou da televisão no último mês de maio, encerrando uma história de 33 anos consecutivos apresentando talk shows noturnos – o que faz dele o apresentador com maior tempo de ar na história da TV americana, deixando para trás o seu ídolo e mentor, Johnny Carson. Neste período, Letterman apresentou o ‘Late Night’ – hoje comandado por Seth Myers – na NBC entre 1982 e 1993 e o ‘Late Show’ – onde foi seguido por Stephen Colbert – na CBS entre 1993 e 2015.

Há várias histórias sobre Letterman e o automobilismo. Uma delas dá conta dele indo de um estado a outro dos Estados Unidos para chegar à sede da ESPN às 6h30 da manhã e conseguir ver corridas da F1 ao vivo em tempos onde a TV americana só mostraria a prova em VT e tarde da noite. Mas essa eu conto melhor outro dia.

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