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14 de junho de 2015 - 15:5424 Horas de Le Mans

Incrível Hülk

Hülk ao centro, com Tandy à esquerda e Bamber à direita (Foto: Facebook/Reprodução)

Hülk ao centro, com Tandy à esquerda e Bamber à direita (Foto: Facebook/Reprodução)

Por Pedro Henrique Marum

Tenho certeza que neste momento quem passa por aqui já leu o que o Victor Martins tinha para escrever em seu blog. E eu poderia simplesmente replicar o post dele aqui, porque concordo sem tirar nem pôr. Mas vou escrever porque a frase que me veio à cabeça continua voltando.

Agora Nico Hülkenberg é vencedor das 24 Horas de Le Mans e joga no primeiro time de pilotos no mundo. Não apenas no talento, mas nos resultados. O alemão capitaneou um trio inexperiente, com Earl Bamber e Nick Tandy, num terceiro carro da Porsche. O patamar de Hülk é diferente desde algumas horas atrás.

Caso realmente não apareça alguma equipe grande, com chances de prover um carro e uma campanha vencedora a Hülkenberg, não terá sido ele quem perdeu o bonde. As equipes da F1 vão olhar no futuro para um piloto extremamente bem sucedido, campeão em outras categorias e reconhecido como um dos melhores do mundo, e elas então terão perdido o bonde da história.

A Ferrari sobretudo, que preferiu resgatar um campeão veterano em 2014 ao investir em parte de seu futuro e ficar com Hülk. Entre todas as lamentáveis decisões que Luca di Montezemolo tomou durante o último ano e meio na Ferrari, talvez essa tenha sido a mais equivocada em termos de pessoal. Räikkönen, aos 34 anos, pouco teria a fazer ao lado de Fernando Alonso e menos ainda ao lado de Sebastian Vettel.

Sobrou a Force India para Hülkenberg, e quem aproveitaria melhor? Pontos nas dez primeiras provas do ano, mas faltava aquilo que ele pode de fato oferecer: a chance de brilhar. Isso ainda falta e vai continuar faltando. E agora ele vai voltar à F1 em uma semana, em um novo patamar na carreira, mas dando tapa na água na realidade medíocre que o aguarda e sem que ele tenha muito a fazer quanto a isso nos próximos meses.

Por isso, mais uma vez: ao perderem, Ferrari, Mercedes e McLaren, a chance de ter em sua garagem o piloto mais talentoso da leva pós-Vettel e Lewis Hamilton, estão perdendo o bonde da história e negligenciando aquele que poderia ser a próxima coisa grande na F1. Essa era a frase na minha cabeça, aliás. De efeito, né?

Para a Ferrari, então, viciada em atenção e publicidade por motivos mais que óbvios, ter Hülkenberg seria mais que trazer de volta o #27, abandonado desde 1995, quando Jean Alesi utilizou pela última vez. Num momento em que ‘Os Vingadores’ são a maior coisa do mundo – não só do entretenimento, mas do mundo -, ter ‘O Incrível Hülk’ em seus quadros é uma incrível oportunidade publicitária. De ter a Ferrari nos filmes da Marvel, entre Capitão América, Homem de Ferro, Thor e companhia limitada e de cair nas graças de Bernie Ecclestone como Hamilton caiu.

Não há melhor momento para dar ao vencedor das 24 Horas de Le Mans a chance de brilhar na F1. Ou então que ele a deixe e vá ser grande em outro lugar. Aos 27 anos, ainda há tempo para ambos.

7 comentários

  1. Gustavo disse:

    Excelente texto !!!
    Em minha modesta opinião, a F-1 já perdeu o bonde da história faz muito tempo. Ela simplesmente não faz mais qualquer sentido, mesmo do ponto de vista financeiro (não adianta poucos encherem o bolso em algo que não prende a atenção do público).
    Espero, sinceramente, que Hulk venha ser feliz em outras categorias (a WEC está escancarada para ele depois de hoje).
    E que nós possamos continuar a apreciar competição de verdade.

  2. Wendell Oliveira disse:

    Muito se fala da F1 estar chata. Tá aí um talento não aproveitado. Na Williams ele mostrou que era fora de série.

  3. Sandro disse:

    Exatamente! Hulk merece a chance de mostrar talento em um time melhor que a Force India e se a F1 não o quiser, que ele vá para o lugar que o queira.

  4. Razor disse:

    Hulkenberg é um ótimo piloto, teria sido tetra-campeão mundial se tivesse pilotado a Red Bull no lugar do Vettel (e com os mesmos provolégios, claro!).

    Mas ao mesmo tempo, ele não venceu sózinho.
    Os outros dois pilotos, Nick Tandy e Earl Bamber (dá até nome de dupla caipira, Tandy e Bamby…) também pilotaram em alto nível ou o Porsche deles não teria chegado 1 volta na frente do outro Porsche, duas na frente do melhor Audi.
    Simples assim.

    Tandy e Bamby TAMBÉM venceram em Le Mans.

  5. Eduardo Schmidt disse:

    Sábias palavras

  6. eduardo disse:

    O que acontece com Hulkenberg e o mesmo que acontecia com Barriquelo que depois de anos teve a chance dividindo a equipe com um super piloto com todos os privilégios, e se fosse ruim como os imbecis falam teria sido destruído no primeiro ano,para quem tem memoria curta apesar de estar na lista de todas as equipes grandes o Barriquelo passou cinco longos anos em equipes medianas

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