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15 de janeiro de 2015 - 16:02Cinema, Nascar

Com amor, a hora mais escura

Jessica Chastain como Maya

Jessica Chastain como Maya

Bom, aproveitando que ontem o GRANDE PRÊMIO noticiou as acusações do Kurt Busch de que sua namorada é uma assassina internacional e hoje foram anunciados os indicados ao Oscar, vamos falar um pouco de cinema.

Isso porque, segundo Kurt, a sua ex, Patricia Driscoll teria dito para ele que personagens do filme “Zero Dark Thirty – A Hora Mais Escura” foram baseados nela e algumas outras pessoas.  O piloto não especificou se a personagem baseada nela seria a protagonista, a pessoa que encontrou bin Laden. É com isso que vamos trabalhar. Seria sequer possível que ela seja? Bem, vamos lá.

Apenas alguns meses depois da operação secreta conduzida pelos Navy Seals norte-americanos que matou o terrorista Osama bin Laden, então homem mais procurado do mundo há uma década, em junho de 2011, Hollywood chamou. Um roteiro foi vendido para a diretora Kathrin Bigelow, primeira mulher a faturar o Oscar de melhor direção, por “The Hurt Locker – Guerra ao Terror”.

O filme saiu um ano e meio depois da operação secreta, em dezembro de 2012. O plot contava a história ainda desconhecida por basicamente todo mundo de como OBL foi morto, mas também de como foi perseguido, rastreado e encontrado. E por quem.

A história do longa começava em 2003, ainda no Paquistão, quando a agente da CIA identificada apenas como Maya (Jessica Chastain), era enviada para uma prisão norte-americana no país. O filme passa por dez anos em que as torturas passam a ser banidas, algo exigido pelo presidente Barack Obama após ele tomar posse em 2008. O filme chegou a ser acusado de fazer apologia de tortura, uma acusação bem estúpida na minha opinião.

Então, Maya encontra uma pista de alguém que pode ser bem próximo a bin Laden, ainda chegando ao Paquistão, e segue nela por anos, até conseguir identificar o complexo onde o terrorista foi encontrado em Abbottabad, cidade paquistanesa perto da fronteira com o Afeganistão. Embora não o tivesse visto, Maya bancou que ele estava lá, conseguiu a operação e encontrou o cabeça dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Em nenhum momento durante a produção, a CIA se manifestou sobre a real identidade de Maya. O que se sabe é que a personagem é, de fato, baseada numa pessoa real. Uma mulher de 30 ou 40 e poucos anos que desempenhou um papel fundamental na caça de bin Laden. Acredita-se que ela tenha servido em Islamabad como uma responsável por encontrar locais que precisem de espiões ou ataques de drones e já estava na CIA antes de 2001. Bigelow e o roteirista Mark Boal a conheceram em presença de outros membros da CIA, além de terem recebido amplo acesso à agência e ao Pentágono enquanto preparavam a pré-produção.

A CIA se recusou, de novo e de novo em falar sobre a Maya real. Até mesmo Chastain tentou falar com ela para construir seu personagem, mas teve o pedido declinado. Foi indicada ao Oscar assim mesmo, em 2013.

Claro, palpites para quem seria Maya não faltaram.  Avril Haynes, primeira mulher a ser diretora-adjunta da Agência de Inteligência, nomeada para o cargo em 2013. A carreira de Haines, no entanto, não bate com a descrição de Maya. E os nomes de pessoas envolvidas na CIA são muito escassos.

Embora os casos retratados no filme possam ser facilmente  identificados na vida real da Guerra do Afeganistão, os nomes de agentes são muito mais bem guardados. Em dezembro do ano passado, a jornalista Jane Mayer, do New Yorker, afirmou que a personagem foi desenhada com base na agente Alfreda Frances Bikowski, famosa pela ligação com torturas. No entanto, não existe confirmação.

Fato é que mais de dois anos após a realização do filme ninguém fora da CIA e de Bigelow e Boal sabem ao certo quem é Maya se não estiver na tela interpretada pela excelente Jessica Chastain. O que ajuda a deixar o mito se ampliar.

Maya pode ser qualquer pessoa. Até mesmo Patricia Driscoll.

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