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13 de dezembro de 2014 - 11:28F-E, Punta del Este

Um novo dia, um novo cão

Um dos vários prédios lindos da cidade

Um dos vários prédios lindos da cidade

Desde que chegamos a Punta del Este nós dormimos muito pouco. São dias que começam muito cedo e terminam muito tarde. Nem tudo tem a ver com a F-E, como a confirmação de que Fernando Alonso e Jenson Button serão os pilotos da McLaren em 2015. Claro que todo o doce da equipe de Woking ia desembocar num dia em que meio site estava fora do país e meio site designado para folgar.

Enfim, não podemos reclamar. Punta, reafirmo, é um lugar lindo. E tão curioso quanto. Aqui, vive-se. Está no rosto das crianças que encontramos saindo do colégio, nas conversas leves das pessoas que são daqui e das que estão aqui. O serviço é de primeira. Não teve um lugar onde não tenhamos sido muito bem atendidos, sem aquela forçação de barra dos Outbacks da vida.

Com a Verônica, do La Marea, batemos vários ótimos papos divididos em pílulas. Nos salvou de um pedido péssimo. A mesma coisa no Los Caracoles, com a senhorinha que, confesso, não perguntamos o nome. E no Olivia. Estivemos à beira de vários pedidos ruins, que zica. Mas acabamos acertando em todos os lugares.

A cidade é litorânea, mas não é como o Rio no clima. Apesar do sol forte e do calor que perceptivelmente está ali, venta-se muito. Fácil de entender quando você olha o posicionamento geográfico. De um lado, o Oceano Pacífico; de outro, o Rio da Prata. Punta não é o extremo sul ou leste do continente, mas o continente acaba aqui, também.

Nos últimos dias, conhecemos nossa maior alegria uruguaia: uma bebida típica daqui que o leitor talvez saiba do que se trata, mas eu desconhecia. O clericot. 1L de uma salada de frutas com vinho e gelo. Enquanto o vinho vai pegando cada vez mais nas frutas o gosto vai aumentando. Difícil resistir.

A Marina de Punta e os bares dão o tom da cidade, mas alerte-se: se sua intenção é vir no inverno, pegar o frio do Uruguai, tudo bem. Vá a Montevidéu, não a Punta. Todos esses restaurantes, cassinos e marina se tornam quase fantasmas, segundo nos consta. “Fuja de Punta no inverno”, disse a nossa amiga Verônica.

Preciso de outro capítulo para a arquitetura. Tem edifícios de menos e de todos os tipos. O redondo, o em forma de tetris, o psicodélico. Tem casa que parece palácio, tem hotel que parece casa, tem loja que parece mansão e tem supermercado que parece supermercado mesmo, porque supermercado é igual no mundo todo.

É difícil se conter ao charme de Punta. Mais que isso: é difícil compreender de onde pode sair tanto charme. No dia em que chegamos, duas cadelas nos apresentaram a cidade, como dissemos em outro post. Nesta sexta, voltando do circuito de rua de Punta, onde os carros elétricos, enfim, aceleraram, mais um cachorro de rua, grande e saudável, resolveu gostar do trio GP. Andava em nossa frente, esperava e nos passava de novo. Entrava em jardins e ia nos encontrar mais à frente. Até que resolveu nos deixar, metros depois, e se alojou num belo jardim que leva a rua à marina. Não sem antes dar uma lambida na mão de Evelyn Guimarães.

É difícil de entender como três cachorros em três dias resolveram querer nossa amizade. Cansados que estávamos nas duas oportunidades, não fomos nós a dar brecha para os companheiros, mas eles que resolveram nos amparar. Dizem que os cachorros entendem a aura dos humanos e seguem quando é boa. Não sei da minha, mas a Eve e o Victor Martins, mesmo aprontando de suas vilanias, são das pessoas favoritas desse mundo. Imagino que eles tenham atraído os bichanos só de passar perto.

É difícil resistir. Ao clericot e a Punta. Aos atendentes e aos cachorros. À senhora que nos ouve pedindo informação para outra pessoa e corre para ajudar. Que lugar difícil de resistir.

2 comentários

  1. Antonio Manuel da Silva disse:

    Você tem algum parentesco com o Roberto e o Sergio Marum, que tinham uma metalúrgica em Campinas?

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