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12 de novembro de 2014 - 21:17Nascar

Wild Card

Ryan Newman está a uma prova de ser campeão sem vencer na temporada que deveria privilegiar vitoriosos (Foto: LM Otero/AP)

Ryan Newman está a uma prova de ser campeão sem vencer na temporada que deveria privilegiar vitoriosos (Foto: LM Otero/AP)

Por Pedro Henrique Marum

A Nascar fez de tudo para privilegiar os vencedores com a mudança vasta que promoveu no Chase para a temporada 2014. Quem ganhasse nas primeiras 26 provas, se classificava automaticamente para o Chase. Neste, em cada fase de três provas, quem ganhasse uma estava direto na próxima. E assim, o corte foi avançando.

Depois de 26 provas, 16 pilotos seguiam. Após mais três, sobraram doze. Mais três, ficaram oito. As três mais recentes e restaram os quatro na briga. No próximo domingo (16), em Homestead-Miami, os quatro pilotos que sobraram na disputa abrem um confronto direto. Quem deles terminar melhor a prova, leva o título.

Na briga pela conquista estão Kevin Harvick – quatro vitórias, 13 top-5 e 19 top-10 na temporada -, Joey Logano – cinco vitórias, 16 top-5 e 22 top-10 -, Denny Hamlin – uma vitória, sete top-5 e 17-top-10 -, e Ryan Newman. Os números em comparação aos adversários são bem inferiores: nenhuma vitória, quatro top-5 e 15 top-10. Brad Keselowski, por exemplo, tem seis vitórias na temporada. Jimmie Johnson, Dale Jr e Jeff Gordon venceram quatro vezes cada.

Então, no ano da manobra de privilégio para os vencedores, a Nascar está a uma prova de consagrar um campeão invencido (?), invicto de vitórias (?). Newman não precisa vencer a corrida, apenas seu trio de rivais.

Há uma clara falha no sistema adotado. 13 pilotos venceram nas 26 corridas da fase classificatória, o que é mais do que tem acontecido nos últimos anos. Mesmo assim, não foram 16 vencedores, o que já era esperado, e que dessa forma abre espaço para os maiores pontuadores não-vencedores de passarem junto ao Chase.

Então, com a pontuação dos 16 classificados igualadas, todos começam do zero. Até o primeiro corte de pilotos (quatro, caso alguém tenha esquecido) e pontuação dos classificados igualada novamente, são apenas três corridas. Ora, obviamente a maioria dos classificados não serão vencedores de provas da fase em questão. E quanto mais a competição afunilar, as chances de pilotos de fora do Chase conseguirem vitórias aumenta, também. Assim, caso esteja no Chase, alguém sem vitórias tem chances praticamente iguais de avançar a quem tem múltiplas vitórias no ano.

Matt Kenseth foi outro sem vitória a avançar, mas parou no top-8. Newman conseguiu somar pontos, a tônica de uma temporada regular, mas que não seria o suficiente em outros anos.

Agora, uma exibição boa em Miami dará o primeiro título da Sprint Cup a um piloto que não vence a 55 corridas e que não vence mais de uma prova num mesmo ano desde 2004, quando triunfou duas vezes. Em dez anos, foram seis vitórias. O título seria tão improvável que, não duvido, faça a Nascar rever as novas regras.

Atualização: Como bem lembrou o leitor Manfred W., o Chase foi instituído em 2004, após o campeonato de 2003 ficar com Kenseth, que vencera apenas uma vez durante o ano. O maior vencedor de 2003? Ryan Newman, com oito vitórias e apenas o sexto lugar geral.

Parece que a Nascar está correndo atrás do próprio rabo? Sim, parece.

12 comentários

  1. Manfred W. disse:

    O Sistema do Chase foi criado depois que um certo piloto teve 8 vitórias em 2003 e perdeu o título para o Matt Kenseth que só teve uma…Adivinha quem era o piloto?
    Abs

  2. Pedro Thadeu Liguori disse:

    A Nascar é bizarra. Com 43 carros no grid, uma paridade muito grande e um sistema de pontuação que aproxima demais os pilotos, é muito difícil criar um sistema que ignore as longas corridas e as chances de algo dar errado – e qualquer coisa que dê, o piloto pode facilmente perder 2 voltas e ficar sem chance nenhuma na corrida, fora os raros abandonos.

    Por isso, sem o Chase, um piloto que disparasse na tabela – Jeff Gordon, por exemplo, esse ano – dificilmente perderia o titulo. Com o Chase antigo, a constância era premiada só depois das primeiras 26 provas – vale lembrar que Jamie McMurray já chegou a ganhar 3 provas em um ano e não conseguiu ir pro Chase, o que é quase um absurdo.

    Esse sistema, ao meu ver, é muito emocionante, mas transforma a Nascar mais em um reality show do que em uma categoria esportiva. Afinal, parece um Big Brother da vida, onde nada que você fez no passado importa a cada “paredão”, ficando tudo condicionado àquela e tão somente aquela fase. No entanto, é difícil superar a emoção de que a cada 3 corridas 4 pilotos vão pra casa. Vê-los dando tudo de si pra conseguir se classificar é sensacional – vide a ultrapassagem do Newman no Kyle Larson pra se classificar pro Final Four.

    Me parece que a Nascar tentou atingir o público comum – que aprecia essa emoção, não vamos negar – ao já cativado – fãs de automobilismo, que preferem corrida à moda antiga – para incrementar os ratings de audiência, que estavam caindo (não muito, mas caindo). Não sei se deu certo.

  3. Pablo disse:

    Esse sistema do Chase é falho? É. Ryan Newman aí sem nenhuma vitória e podendo ser campeão assim mesmo comprova isso. Denny Hamlin é outro que não fez lá muita coisa nesse ano, já teve anos bem melhores e ele nem correu uma corrida esse ano inclusive (Em Fontana na “fase regular” por uma crise braba de sinusite). Mas apesar de falho, ele é bem emocionante. Deu a Nascar uma cara de playoff típico de NFL, NBA, etc. e deu a essa corrida de Homestead-Miami um caráter de Super Bowl ou de “Jogo 7″ de final de NBA, MLB ou NHL. Tudo pela audiência, que eles julgam estar aquém do que eles esperam e os autódromos que não estão tão lotados como antes. Mesmo que no geral a Nascar ainda dê um coro na Indy em termos de audiência

    E me permita fazer uma correçãozinha no texto: Na parte “Depois de 26 provas, 16 pilotos seguiam. Após mais três, sobraram oito. Mais três, ficaram quatro.”
    Faltou dizer que depois de 3 etapas iniciais do chase ficaram 12 pilotos, depois de mais 3, sobraram 8 e agora 4.

    • Pablo disse:

      Ah, e mais uma coisa: Não acho que neste momento a Nascar esteja correndo atrás do próprio rabo. Só concordarei com isso quando ela resolver acabar com o Chase graças ao Newman (quem diria, o cara que foi um dos motivos pra criar o chase, ira ser o motivo pra que acabassem com ele) ser campeão sem nenhuma vitória.
      No momento diria que ela deu um giro de mais de 180º mas que pode logo logo chegar a 360º

      • Pedro Henrique Marum disse:

        Eu concordo que é emocionante. É mesmo. Mas eles chegaram a isso pela forma errada, se era, como disseram aos quatro cantos, para privilegiar os vencedores. É divertidíssimo, mas bizarro.

  4. Eduardo disse:

    o q dizer da formula 1 então q uma corrida comum, com a mesma distancia das outras vale o dobro de pontos?

  5. ricardo domingues disse:

    Pelo menos a NASCAR tem fazer alguma coisa para se aproximar junto ao público. E a F1 que só faz besteira e só vem perdendo equipes e audiência mundial.

  6. eduardo disse:

    O sistema de pontuação que não da uma vantaguem real para os primeiros é o grande problema da Nascar,o Gordon chegou duas vezes entre os primeiros e por um acidente que ele não teve culpa ficou fora.O maior vencedor,o maior pontuador,e o melhor piloto eestão fora por ter problemas e corridas sem possibilidade de recuperar(apesar do JJ ter jogado a classificação fora por buradas estrategicas) os dirigentes estão torcendo por Harvick ou Logano os unicos desteques que sobreviveram

  7. eduardo disse:

    Na Nascar apesar deste regulamento confuso foi emocionante com vitorias espeteculares principalmente do bad boy da categoria,enquanto isso a DTM teve um campeonato sonolento e a Stock é uma confusão só

  8. Helder disse:

    Não acompanhei praticamente a NASCAR nesses últimos anos, mas sempre adorei a categoria. Quando criaram o Chase em 2004, fiquei fascinado, pois como um fã de automobilismo decepcionado com o que ocorria na Fórmula 1, por exemplo, com o domínio de um único piloto. As corridas da NASCAR, em sua maioria, são sempre emocionantes, e em 2003 eram emocionantes também, sem o Chase. Mas essa coisa de privilegiar vencedores de provas sempre me parece meio perigoso. Estou por fora como disse, se alguém puder me explicar melhor, me ajudaria. Mas pelo que entendi, se o cara vence umas duas ou três corridas, ele já estaria no Chase (levando em conta a forte disputa em cada corrida), sem precisar completar nenhuma das outras vinte e tantas corridas. Sei lá, foge de conceito de automobilismo. Tudo bem que nas 10 finais, a situação se aproxima (mesmo que se privilegie os vencedores também). Sei lá, automobilismo em campeonatos longos envolve a regularidade também. Não que eu não goste da emoção da NASCAR, também sou a favor dessas competições com “play-offs”. Mas essa de “venceu, se classificou”, sei lá….

  9. Diego disse:

    Gosto de automobilismo, mas não consigo ter paciência de acompanhar a Nascar (aliás nem a F1 eu não tive paciência esse ano. Comecei com o entusiasmo de sempre, mas com umas 5, 6 corridas perdi o interesse, no final acho que não assisti nem metade dos GPs. Achei legais alguns aspectos, mas outros ficaram devendo. Nem mesmo sei quais foram, mas eles pesaram dessa vez), pois acho as corridas longas demais (principalmente as de 500 milhas, que na Indy já são demoradas, o que dizer numa categoria onde os carros tem mais ou menos 2/3 da velocidade dos monopostos) e o regulamento bizarro. Pra mim a Sprint Cup ainda vai, que ao menos tem uns pegas no melhor estilo americano, mas Truck Series e principalmente Nationwide são muito chatas, às vezes parece que são mais difíceis de ultrapassar do que F1 e só ganham as corridas os pilotos da Sprint, pois além de mais experientes ficam com os melhores carros, pois levam mais patrocínio. No fim das contas acho que Nascar é como futebol americano: competições provincianas inventadas por americanos pra americanos e só a cultura deles os permite apreciar da forma que apreciam. Aliás, eu considero a Nascar apesar de seu tamanho, sua força como um campeonato nacional, como Stock Car, DTM, V8 Supercars, etc. E acho que eles preferem que assim continue, pois a história já nos mostram que eles não gostam muito de internacionalizar seus campeonatos. Prova maior é a Indy, que nos anos 90 passou a receber pilotos de ponta de todos os cantos e de campeonato nacional provinciano passou a ter importância de campeonato mundial, o que de certa forma causou o racha da categoria, pois o sucesso da categoria sucumbiu ao nacionalismo dos que não se conformavam em ver os pilotos estrangeiros vencendo os americanos e por isso um grupo se insurgiu alegando que a categoria “tinha perdido a essência”. Apesar disso, ainda hoje a Nascar é um campeonato nacional, pois embora tenha estrangeiros, estes ainda não romperam o paradigma, e a Indy é um campeonato mundial, mesmo não atraindo tanto público como a categoria rival, e mesmo sua época de ouro tendo ficado para trás e não tendo mais o prestígio de outrora, ela ainda atrai muitos pilotos de várias partes do mundo, e lá estes não ficam à margem da categoria como na Nascar.

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