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29 de novembro de 2014 - 02:15Chespirito

Para sempre, Chespirito

Para sempre (Foto: Divulgação/Twitter)

Para sempre (Foto: Divulgação/Twitter)

Pedro Henrique Marum

Por que choramos por Chespirito? Nunca o vimos, não fomos campeões pelo seu pé pesado ou por um gol no momento decisivo. Não foi através dele que vivemos um sonho.

Mas todos sabemos o que Bolaños significa. O homem que escreveu alguns personagens 40 anos atrás, e esses personagens fizeram dele um dos maiores gênios da comédia, o dono do produto mais vendido da história do entretenimento mexicano.

Chespirito gostava de escrever e queria fazer comédia. Sabia brincar e queria fazer que suas personagens transcendessem idade, credo, gênero, raça, condição social. Criou personagens, então, que não tinham base em nada disso. E que eram bons, apesar de tudo. O menino pobre que queria um sanduíche, um super-herói que não tinha qualquer habilidade física, um ladrão inocente, um médico ranzinza.

Todos esses personagens viajaram mundo afora, pois encontraram características semelhantes e de empatia por todo lugar.

No Brasil, Chaves e Chapolin, os de maior sucesso, chegaram em 1984. Estão aí até hoje. Três gerações de brasileiros cresceram com as piadas e as histórias físicas, inocentes e engraçadas. Cresceram com Seu Madruga ensinando que a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena, ou com Chapolin ensinando que famosos são legais, mas não são mais importantes que caminhoneiros e carpinteiros, pois são profissões honestas e essenciais.

Sem querer querendo, os personagens de Roberto Gómez Bolaños diziam todas as coisas certas. E ainda eram engraçados.

Nem todos gostam de Chaves, eu entendo. Mas notem a quantidade de crianças e adultos, de hoje e ontem, que cresceram e aprenderam com Chaves, Quico, Seu Madruga, Chapolin, Pirata Alma Negra, Quase Nada, Dr. Chapatin, Chaveco e os outros parentes nossos que nasceram no lápis de Chespirito.

Quando via heróis criados por motivos feios, Chespirito achou que as pessoas poderiam seguir os passos de um herói mais puro. E melhor se fosse latino. Fez, então, Chapolin Colorado. O mais perfeito dos heróis, porque os super, esses não existem, mesmo. Mas Bolaños fez e faz e fará centenas de milhões de pessoas em todo o planeta rirem, se divertirem, ainda aprendendo lições. A América Latina inteira e mais países em outros continentes. Foram mais de 100 países onde suas histórias passaram.

Chespirito é um herói. É o nosso herói possível e improvável.

Nos últimos anos, Bolaños lutou contra problemas de saúde, frutos da idade. Ao lado de Florinda Meza, companheira de 37 anos, ainda conseguiu, mesmo muitas vezes impossibilitado de andar e respirar sem auxílio, aparecer em grandes homenagens no México e reunir seis milhões de fãs no Twitter, sempre mandando mensagens de carinho. Nesta sexta (28), seu corpo não aguentou mais. Chespirito morreu aos 85 anos.

Só que quem faz o que Chespirito fez, transcendendo gerações, vive para sempre.

Quem viveu a vida para fazer pessoas rirem, não deveria ver sua morte causar dor. Mas, espero que Chespirito entenda, o ser humano chora quando seus entes queridos se vão. E quando você passou a vida inteira na casa de alguém, virou da família.

Sim, choramos por Chespirito. Choramos porque vivemos com ele e porque sabemos que lá no fundo, seremos crianças eternas, como Chaves, e inocentes e otimistas eternos, como Chapolin. Queremos seguir os bons e ensinar aos nossos filhos que a vingança nunca é plena, pois mata a alma e a envenena e que as pessoas boas devem amar seus inimigos. Teremos dentro de nós um pouco de Chespirito, e isso para sempre.

Hoje, choramos pela morte de um gigante. Amanhã, assistiremos as peripécias do menino do barril e seus amigos, e lembraremos que Chespirito vai viver conosco para sempre.

E quando formos nos despedir de nossos amigos para dormir à noite, nos despediremos com um “boa noite, vizinhança”.

Agora, se existir um céu, Chespirito e Don Ramón estão juntos. Imagina como tá engraçado.

2 comentários

  1. Pablo disse:

    Faltou pouco pra eu não chorar lendo esse texto.. Nunca senti tanto a morte de alguém famoso como foi a morte de Bolaños. Realmente, é como se alguém da família tivesse partido.
    Desde que me entendo como gente, este é o primeiro membro da turma do Chaves que “vejo” morrer, e logo quem? O que deu vida ao próprio…
    Antes dele, fui descobrindo que já tinham ido dessa pra uma melhor além de Don Ramón, a Bruxa do 71, Jaiminho carteiro e Godinez que claro receberão Chaves/Chapolin/Dr. Chapatín/Chompiras de braços abertos

  2. Alex disse:

    Belas palavras….Tenho 33 anos….minha infancia foi assistir Chaves e Chapolim. Assistia ao lado dos meus pais….hoje como disse aos 33 anos, ainda assito ao lado dos meus pais….e ao lado de minha filha….e tenho certeza que daqui a alguns anos, estarei assitindo com meus netos. Chaves e Chapolim…Chespirito…..Eternos…Para sempre

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